Renascer das águas

Hoje em nosso Blog compartilhamos a história do nadador Salomão, carioca de 52 anos idades, durante 30 anos viveu o drama de muitos brasileiros com envolvimento com as drogas e com a pratica de natação, muitas braçadas e força de vontade renasceu e mostra o quanto vale a lutar pela felicidade!!

Como tudo começou:
Na adolescência, eu tive o meu primeiro contato com as drogas. Aos 14 anos experimentei maconha e a partir de então nunca mais fui o mesmo: “Me tornei um mau filho, um péssimo aluno e, por fim, um ladrão doméstico, trocava minhas coisas por DROGAS”. Aos 17 anos maconha já não era suficiente e a cocaína se tornou o combustível, além de inalar e injetar. “No início eu usava para viver, depois eu passei a viver para usar. Eu virei um escravo.” Já não tinha ética e nem moral para olhar para as pessoas. Me desvinculei totalmente da sociedade, e aí se passaram 30 anos de fracasso em cima de fracasso, destruindo relacionamentos, manipulando, mentindo, sempre maquinando a próxima dose. Não dava um pingo de importância a minha saúde, pois, por descuido e promiscuidade adquiri o vírus HIV, logo sendo diagnosticado em 1990, acelerei o meu processo de autodestruição, só queria mesmo a morte, mas por mais que tentasse, e sofresse (espiritualmente) Deus me amparava.

Quando deu o clique de que você precisava para mudar a sua vida?
Depois de diagnosticado como HIV (soro positivo) os profissionais viviam me alertando que se eu continuasse com o uso abusivo de drogas, o meu final seria a morte, mesmo assim, relutei durante 15 anos, continuando a usar as drogas. Quando aos 47 anos de idade, um sábado à noite, cansado de sofrer espiritualmente, da agonia da alma… tomei ciência de que não poderia mais ter esse sentimento de sofrimento, de dor… e resolvi ir à um grupo de mútuo ajuda, onde as pessoas falam um pouco de si e continuamente voltam dia após dia, limpos para partilhar como foi o seu dia, e desse dia em diante, comecei a sentir o prazer em saber o que era só mais 24 horas limpo, e que o segredo estava na próxima reunião, os meses foram se passando e eu ficando fortalecido em um único propósito – O DE FICAR LIMPO – adequei o esporte à partir de então…

Porque a natação ? Como o nado surgiu na sua vida?
Quando criança fazia saltos ornamentais no Vasco da Gama, até os 13 anos tive uma vida ligada ao esporte. Me desvinculei aos 14 anos, quando comecei a usar drogas, o registro ficou em minha mente, mas o corpo padeceu em 30 anos, e aos 47 anos eu resolvi resgatar a minha história com o esporte e coloquei metas em cima da natação, por ser um esporte completo e saudável, logo, comecei a desenvolver e me veio a vontade de fazer travessias curtas. Nessas travessias me veio a vontade de atravessar um certo “Canal da Mancha”, e todos os dias repetia dentro dos grupos de mútuo ajuda, de iria atravessas, isso despertou em um membro a seguinte atitude – Não seja por isso meu amigo, aqui está o pé de pato – essa história se perpetuou dentro de nossa irmandade, e este cidadão se tornou o meu padrinho. Depois de ganhar meu pé de pato vim parar no Tijuca Tênis Clube, onde me tornei um atleta de auto rendimento.

 

Atualmente quantas horas você treina por dia?
Sendo um atleta de auto rendimento, para as modalidades que faço me dedico 03 horas por dia, pois tenho que dividir o meu tempo cuidando do meu pai, por isso não disponho de todo o tempo que seria necessário para um bom treino. As 03 horas em que fico no clube me dão o suporte necessário, principalmente na natação, pois em casa posso alinhar o meu tempo com a bike e alguns exercícios indoor.

 

Qual a sua meta agora?
A minha meta sempre foi o Canal da Mancha, mas tive que ir em outras modalidades, conheci o Aquathlon, Triathlon, Iron Man, Ultra Maratonas de Trekking, como uma forma de me fortalecer e estar apto para todos os tipos de modalidade. Assim 01 ano antes de ir ao Canal da mancha, será necessário focar somente na natação.

 

O que você precisa para ir além?
Além de manter-me limpo, saudável e disposto, preciso também de patrocínio e apoio, pois ser atleta aos 52 anos não é fácil, pois os patrocínios vão somente para os mais jovens, somos olhados com desconfiança pela idade, quase sendo uma interrogação de que conseguiremos com êxito o término de nossos desafios.

Hoje sou uma pessoa que apesar de todas as dificuldades, através do esporte, encontrei a aceitação, tolerância, comprometimento, sabendo que um dia tudo passa…. todas as adversidades serão ultrapassadas, isso me enche de esperança dia-após dia, me dando um sentimento de nunca desistir. Conquistei a confiança de minha família, dos meus amigos, casei-me, me tornei um ser humano um pouco melhor… sou FELIZ.

Salomão da Silva Albuquerque Petra Bittencourt