Meu filho é o novo Phelps, Minha filha é a nova Katinka

Boas…
E é chegada mais uma 5a!

Para tudo e senta aí porque hoje a coisa é muito séria.

Peço licença à Vocês para falar de um dos maiores, se não o maior problema que nós Pais podemos criar em torno das nossas “crias”; a pressão de acreditar que temos uma nova Katinka Hosszu ou um novo Michael Phelps em casa. Neste momento vamos direto e reto para a seguinte pergunta:
– Qual a idade dela(e)?!?!?!
– Seis anos, e já nada muito bem.

Quando ouço uma coisa dessas, além da crise de angina instantânea, a vontade é de afogar os “progenitores” que tem este discurso… Imediatamente sou tomado por uma angustia profunda, e começo a sofrer pela criança.

– Calma Indiani, e se a criança for mais velha?!
– Mais velha quanto?!?!?!?!?!
– Doze anos.
– Meus queridos neste caso a resposta é: continuo sendo tomado por uma angustia profunda, e novamente começo a sofrer pela criança.

Garanto à Vocês que como EDUCADOR/PROFESSOR/TREINADOR, nos dias de hoje mais importante que ser o novo campeão Olímpico, devemos inicialmente pensar nos benefícios que uma modalidade competitiva pode trazer para este “serzinho” ao longo de sua vida.

Medalhas, troféus, recordes, seleções e outras tantas coisas do mundo competitivo significam muito pouco, ou quase nada diante das situações que nossas crianças estarão aprendendo a lidar, além de que este ganho é para a vida toda.

Ganhar e perder, frustrar-se, dar a volta por cima depois de um resultado negativo, conviver em grupo, valorizar o coletivo, ser responsável pelo cumprimento de tarefas, aprender a receber comandos e respeitar os “comandantes”, cuidar das suas coisas, assumir responsabilidades pelos seus atos, e tantas outras itens que estão muito na frente de uma medalha, ou até mesmo de uma Olimpíada.

– Ok Indiani… E se estivermos falando de um adolescente de 15 ou 16 anos?!
– Continuarei com o mesmo discurso. Sabe por que?! Porque TUDO DEVE ACONTECER DE FORMA NATURAL, e principalmente SER FRUTO DO DESEJO “DELES” E NÃO NOSSO.

Ser Mãe e Pai de Atleta é basicamente apoiar, oferecer o ombro quando necessário, prestigiar e confortar quando possível e necessário, e deixa-los entender que na vida as coisas serão bem mais duras.

Ao avaliarmos uma criança praticante de esporte competitivo apenas pelos seus resultados estamos acabando definitivamente com o real objetivo da competição que é a preparação para os muitos obstáculos que a vida lhes colocará ao longo deste fascinante e tortuoso caminho.

Sou casado faz 18 anos com a Marcia (Psicologa do Esporte); Temos duas filhas, a Isadora (16) e a Marina (13) que aprenderam a nadar por questões de segurança, e depois do aprendizado dos 4 nados partiram para modalidades totalmente diferente.

Isadora já fez cross-country, e hoje continua desenvolvendo suas habilidades em várias modalidades de dança. Marina já fez várias modalidades de dança, e hoje dedica-se ao arco e flecha e artes marciais…
PERGUNTA: – Nossa vontade?!?!
RESPOSTA: – Que ambas praticassem qualquer esporte.

Durante minha carreira de Atleta (e olha que nem fui lá essas coisas), conheci e convivi com vários amigos que não tiveram a mesma sorte que eu e meus irmãos.
Nossos Pais sempre nos apoiaram e exigiram comprometimento, os resultados sempre foram uma consequência do que fizemos. Alguns bons resultados, outros muitos não tão satisfatórias mas sempre estavam lá pra nos apoiar.

Hoje tem Pai de Atleta (12 anos) que sabe a posição em que a criança esta no ranking, os tempos de quem esta na frente, e outras tantas informações que quando necessito nem abro o computador, vou direto neles… triste…
Hoje os Pais querem comprar um TRAJE TECNOLÓGICO o mais cedo possível, mas para a minha alegria os trajes foram proibidos até a categoria Petiz 2 (12 anos), e a regra passa a vigorar em 2019…
Hoje os Pais levam seus filhos para treinar aos Domingos pois acham que somente durante a semana é pouco…
Hoje os Pais atravessam os Treinadores e dão informações para as suas “crias”…
Hoje os Pais compram “oclinhos” de 350 reais para os mesmos esquecerem na arquibancada…
Hoje os Pais aparecem no dia a dia com a frequência da passagem do cometa Harley, mas estão em todas as competições com o cronômetro no pescoço, e se ganhar medalha, a mesma vai ficar junto do cronômetro…
Hoje os Pais alimentam as crianças com bens materiais…
Hoje também não quero e de forma alguma posso generalizar os mesmos, pois ainda existem Pais NORMAIS no meio desta loucura e destempero total em que estamos mergulhados até o pescoço.

Pais, apoiem seus filhos em tudo e transfiram de acordo com a idade a responsabilidade de assumir a direção gradativa das suas vidas.
Pais, cobrem comprometimento e não simplesmente resultados… Os resultados que a pratica esportiva trará ao longo da carreira serão muito maiores que os resultados obtidos em uma competição.
Pais, exijam o respeito para com os colegas do time e os profissionais.
Pais, ensinem sobre a vida de forma COLETIVA.
Pais, deem amor e não apenas um traje tecnológico.
Pais, Katinka Hosszu e Michael Phelps só existe um, e não é a sua filha ou seu filho.
Pais, cobrem atitudes positivas e superação e não uma medalha ou uma convocação.
Pais, sejam apenas Pais… deixem a tarefa de orientar, treinar, organizar e dirigir para os profissionais capacitados para esta tarefa.
Pais, lembrem-se de valorizar sempre a JORNADA pois o destino final será determinado por eles e não por nós.

Sei que este assunto é extremamente delicado, mas estou e estarei sempre aberto para o dialogo e principalmente para os que forem contrários aos meus pensamentos.
Tenho um pouco de experiencia, e este pouco quero sempre estar dividindo com cada um de Vocês!

Um forte e molhado abraço de um Pai amante e profissional da Natação.

Alexandre Indiani
#ENCONTRO NACIONAL de TÉCNICOS
#MORMAII NATAÇAO e WETSUIT
Skype a.s.indiani / USA +1 904-525 0644